Raimundo Costa agradece ao Podemos… e aparece filiado ao PSD

Aquele comunicado publicado recentemente pelo deputado federal Raimundo Costa, cheio de agradecimentos ao Podemos, já parecia ter cheiro de despedida. E tinha mesmo.

Pouco tempo depois da mensagem em que falava em “reflexões, conversas e convites”, o parlamentar oficializou sua filiação ao Partido Social Democrático, reforçando o time comandado na Bahia pelo senador Otto Alencar.

O anúncio foi feito nas redes sociais do próprio partido, que comemorou a chegada do deputado e destacou que a nova filiação fortalece ainda mais o PSD no estado. No mesmo movimento político também ingressaram na legenda o ex-prefeito de Serrinha Adriano Lima e o ex-deputado federal Bebeto Galvão.

O senador Otto Alencar fez questão de destacar o espírito de parceria no grupo. Segundo ele, quem está ao seu lado sabe que palavra dada é palavra cumprida, garantindo que se empenha tanto em suas campanhas quanto nas campanhas dos aliados.

Nos bastidores da política, a movimentação já vinha sendo comentada. O comunicado publicado dias antes por Raimundo Costa, cheio de agradecimentos à direção do Podemos e à presidente nacional Renata Abreu, acabou sendo interpretado por muitos como uma despedida elegante.

E, como a política raramente perde tempo, o “obrigado” virou rapidamente “seja bem-vindo” em outra legenda.

Contrato milionário, explicações públicas: esposa de Moraes entra no debate sobre caso Banco Master

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, decidiu falar publicamente e divulgar detalhes do contrato firmado entre seu escritório e o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.

De acordo com informações divulgadas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, o contrato foi firmado em fevereiro de 2024 para prestação de consultoria jurídica. O acordo previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,5 milhões, podendo chegar a aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de três anos.

Na nota divulgada, o escritório informou que o trabalho envolveu uma equipe de 15 advogados, além da coordenação de outros escritórios especializados. Segundo os dados apresentados, foram realizadas 94 reuniões de trabalho e elaborados 36 pareceres jurídicos, abordando temas como regulação bancária, compliance, direito trabalhista e questões contratuais.

O contrato, entretanto, foi encerrado em novembro de 2025, após a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

A advogada também ressaltou que o escritório não atuou em processos do Banco Master no STF, buscando afastar qualquer suspeita de conflito de interesses envolvendo o ministro do Supremo.

O caso ganhou grande repercussão nacional, especialmente por envolver um banco investigado e um contrato de valores expressivos, colocando o tema no centro do debate público sobre transparência, ética e relações entre o setor financeiro e o meio jurídico no país.

Um técnico no comando: os primeiros resultados da gestão de João Bittencourt no SAAE

Conheci o diretor do SAAE, João Bittencourt, na última quinta-feira (05) e confesso que fiquei impressionado. Em pouquíssimo tempo à frente da autarquia, ele já começa a apresentar resultados que chamam atenção.

Tudo começa com uma decisão do prefeito Marcos Medrado, que deixou claro desde o início que queria alguém com perfil técnico para comandar o SAAE. A escolha parece ter sido certeira.

A nomeação de João ajuda a explicar, inclusive, uma curiosidade antiga da população: por que a direção do órgão mudava tanto ao longo dos anos.

E os primeiros números começam a aparecer. Logo no início da gestão, João conseguiu garantir R$ 5 milhões para os cofres do SAAE.

O recurso veio após uma ação judicial movida contra a Coelba, que cobrava ICMS de forma considerada indevida nas contas de energia da autarquia. A Justiça deu ganho de causa e o valor será devolvido.

Outro ponto que já chama atenção é a redução de custos com energia elétrica. A gestão firmou contrato no Mercado Livre de Energia, adquirindo energia de fonte solar com cerca de 30% de desconto.

A estimativa é de uma economia mensal próxima de R$ 70 mil.

E os planos não param por aí. Mesmo com apenas dois meses de gestão, o diretor já anunciou a intenção de construir uma nova estação de captação de água, mais moderna e eficiente.

A iniciativa promete melhorar a qualidade do abastecimento e garantir mais segurança hídrica para a população.

Essas foram as primeiras informações que levantei sobre o novo diretor. Se o ritmo continuar assim, a expectativa é que, nos próximos anos, o SAAE deixe de ser alvo de críticas frequentes e passe a ser lembrado pelos avanços no abastecimento e na qualidade da água em Valença.

Depois a gente volta para mostrar o curriculum do diretor.

NOTA OFICIAL: Sobre a interdição parcial do Atracadouro do Morro de São Paulo

A Prefeitura Municipal de Cairu informa que o Atracadouro do Morro de São Paulo, assim como os demais atracadouros do Estado da Bahia, é de responsabilidade do Governo do Estado, sendo administrado pela AGERBA (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia). A obra de recuperação estrutural atualmente em execução é realizada pela empresa Tecnocret Engenharia Ltda.

A intervenção faz parte de um contrato do Governo do Estado para recuperação estrutural dos atracadouros do Morro de São Paulo e da Gamboa, conduzido pela SEINFRA (Secretaria de Infraestrutura da Bahia). Durante a execução dos serviços foram identificadas rachaduras e fissuras na área em balanço da estrutura, o que levou a equipe técnica responsável pela obra a recomendar medidas adicionais de segurança, incluindo a necessidade de interdição parcial do píer para continuidade segura da recuperação estrutural.

A Prefeitura de Cairu foi formalmente comunicada sobre a necessidade de interdição parcial do píer no dia 05 de março de 2026, após avaliação técnica apresentada pela empresa responsável pela obra e pela equipe de engenharia do Estado.

Com base nessa avaliação, foi solicitada a interdição parcial do píer fixo do atracadouro pelo prazo estimado de 30 dias, com início previsto a partir de 06 de março de 2026, período necessário para conclusão das intervenções estruturais.

Durante o período da obra, o embarque e desembarque de passageiros e cargas ocorrerão por estruturas auxiliares e pelo atracadouro flutuante, com organização das equipes operacionais de transporte, apoio da empresa Dátoli, da Associação de Carregadores do Morro de São Paulo e suporte da Polícia Militar para organização do fluxo no local.

A Prefeitura de Cairu reforça que não possui gestão ou responsabilidade direta sobre o atracadouro, atribuição do Governo do Estado da Bahia. Ainda assim, o município acompanha a situação e colabora institucionalmente para minimizar impactos à mobilidade de moradores, trabalhadores e visitantes.

Prefeitura Municipal de Cairu

Taperoá: conta que não fecha, discurso da prefeitura sobre projeto do magistério levanta dúvidas e Câmara puxa freio de mão

Prefeitura diz que contas da educação não fecham, mas números apresentados na tribuna levantaram mais perguntas do que respostas e vereadores decidiram analisar o projeto com mais calma

A sessão da Câmara de Vereadores de Taperoá desta semana parecia mais uma aula de matemática improvisada, feita por um leigo.

O secretário de Finanças foi até a tribuna para explicar o Projeto de Lei que mexe no Estatuto do Magistério e que, segundo ele, seria a única forma de evitar um colapso nas contas da educação.

O discurso foi longo. Muito longo. Tão longo que, em alguns momentos, parecia mais uma maratona de números ditos de memória do que uma apresentação técnica de quem veio provar alguma coisa.

A lógica apresentada pelo secretário é a seguinte: antes o município tinha muitos professores contratados, que custavam menos.

Agora, com o concurso público, os servidores efetivos passaram a ter direitos como férias, décimo terceiro e estabilidade. Resultado: a folha da educação cresceu.

Até aí, nenhuma novidade. Isso acontece em qualquer município que resolve fazer concurso público.

O curioso é que o próprio governo que agora se mostra preocupado com o aumento da folha foi o mesmo que decidiu realizar o concurso.

Mas o ponto alto da fala foi quando o secretário repetiu várias vezes a frase clássica: “Contra números não existe argumento.”

Pois é.

O problema é que os números apresentados pareciam mais uma salada de cifras do que uma demonstração técnica.

Em um momento falou-se em R$ 3,3 milhões de Fundeb por mês. Em outro, a folha aparecia com R$ 3,2 milhões.

Logo depois entravam na conta mediadores que ainda nem foram contratados, progressões salariais que só aconteceriam daqui a três anos e até o décimo terceiro que, segundo o próprio secretário, nem estava incluído no cálculo.

No meio dessa mistura de valores atuais, previsões futuras e contas feitas “de cabeça”, a matemática acabou ficando com mais cara de argumento político do que de relatório financeiro. Até Pitágoras revirou no túmulo.

E como se não bastasse, o secretário ainda resolveu comparar salários de professores de Taperoá com os de outras cidades, afirmando que aqui se paga melhor que em alguns municípios vizinhos.

A tentativa de reforçar o argumento acabou produzindo o efeito contrário. Para muitos professores, a fala soou quase como um aviso: “vocês ganham demais”.

Naturalmente, o clima na Câmara ficou pesado.

No final das contas, a fala do secretário conseguiu uma coisa curiosa: em vez de convencer os vereadores a votar o projeto rapidamente, acabou fortalecendo a decisão de pedir vistas do Projeto de Lei.

Traduzindo do juridiquês para o português claro: os vereadores decidiram parar, respirar e olhar o projeto com mais calma.

Durante a sessão, o vereador conhecido como Tiririca também entrou no debate e deixou claro que não vê motivo para qualquer tentativa de acelerar a tramitação do projeto.

Segundo ele, o próprio regimento da Câmara já prevê prazo de até 15 dias para análise após o pedido de vistas.

Mais do que isso, o vereador foi além e declarou voto contra qualquer tentativa de “quebra de interstício”, afirmando que é favorável à retirada de pauta e até ao arquivamento do projeto.

Em outras palavras, enquanto o governo tenta convencer que o projeto é urgente, dentro da própria Câmara já há quem defenda que ele nem deveria sair da gaveta.

Porque quando um projeto chega cercado de polêmica, professores mobilizados e uma matemática que muda de valor a cada cinco minutos, o mínimo que se espera é que as contas sejam feitas com calma e de preferência em uma planilha, não no improviso da tribuna.

No fundo, o recado que ficou no ar foi simples.

A prefeitura pode até ter um problema fiscal real para resolver. Isso acontece em muitos municípios.

O que ainda não ficou provado é que a solução para esse problema precisa necessariamente passar por um projeto que cria regras diferentes dentro da mesma carreira do magistério.

E enquanto essa conta não fechar de verdade, a Câmara fez o que a política costuma fazer quando a matemática aparece meio confusa: puxou o freio de mão.

Prefeito visita comunidades do Orobó e anuncia melhorias em estradas e escolas

O prefeito Marcos Medrado esteve nesta quarta-feira (04) nas comunidades da Colônia e Capela, na região do Orobó, em Valença, acompanhado dos secretários Gerson Guimarães (Educação) e Riselson Alves (Estradas e Rodagens).

A visita atendeu a um pedido dos moradores e teve como objetivo verificar de perto as condições das estradas vicinais e das escolas da localidade.

Durante o percurso, a comitiva avaliou trechos críticos das vias e a infraestrutura das unidades escolares.

Segundo o prefeito, os serviços de recuperação das estradas já foram autorizados e devem começar assim que o clima permitir.

De acordo com o secretário Riselson Alves, a região do Orobó possui cerca de 350 quilômetros de estradas vicinais, sendo que 120 quilômetros já receberam serviços de patrolamento e encascalhamento, o equivalente a 34% da malha viária.

A iniciativa faz parte das ações da gestão municipal para melhorar a infraestrutura rural e garantir melhores condições de acesso, transporte escolar e qualidade de vida para as comunidades.

Valença precisa encarar a realidade: saneamento custa dinheiro

Taxa de esgoto não é castigo: é investimento em saúde, meio ambiente e no futuro de Valença

Sempre que aparece a palavra “taxa”, muita gente já torce o nariz antes mesmo de entender do que se trata. Em Valença não foi diferente com a Tarifa de Serviços de Esgotamento Sanitário (TSES). Mas é preciso colocar as cartas na mesa e explicar uma coisa simples: não existe saneamento sem investimento.

Durante muitos anos, o sistema de esgotamento sanitário da cidade funcionou praticamente sem uma fonte própria de custeio. Ou seja, o serviço existia, mas quem acabava pagando a conta era a própria tarifa de água, que subsidiava o sistema. Resultado: faltaram recursos para manutenção, expansão e recuperação de estruturas importantes.

Agora o município instituiu a cobrança da tarifa de esgoto com um percentual de 40% sobre a tarifa de água. Para quem não sabe, em cidades vizinhas atendidas pela Embasa essa cobrança pode chegar a 80%. Ou seja, Valença está adotando um índice menor, buscando manter o serviço funcionando sem pesar excessivamente no bolso do cidadão.

E é importante deixar claro: a cobrança da tarifa não é invenção de Valença. Ela está prevista na Resolução nº 13 da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que autoriza a cobrança sempre que houver pelo menos coleta e transporte do esgoto, serviços que já demandam custos operacionais e manutenção constante.

O diretor do SAAE, João Batista Bittencourt, explica que o objetivo da medida é justamente corrigir uma distorção histórica.

Segundo ele, os recursos arrecadados serão utilizados para manter o sistema funcionando, adquirir equipamentos, ampliar a cobertura e recuperar estruturas importantes, como as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) que há anos estão sem operar adequadamente.

E aqui entra outro ponto importante: a tarifa também tem caráter social.

O decreto municipal nº 6.168/2026 estabelece que não pagarão a taxa:

  • famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico
  • idosos com 65 anos ou mais
  • pessoas com deficiência
  • beneficiários do BPC

Além disso, imóveis que não estão ligados à rede de esgoto ou localizados em áreas sem cobertura do serviço também não serão cobrados.

Ou seja, a cobrança não é generalizada nem cega. Existe um cuidado para proteger quem mais precisa.

O dinheiro arrecadado será investido na recuperação do sistema de esgotamento sanitário, na melhoria da captação e tratamento de água e também em ações que buscam evitar o despejo de esgoto nos rios e mananciais, incluindo o Rio Una, que é fundamental para o abastecimento da cidade.

No fim das contas, a pergunta que precisa ser feita é outra: quanto custa não ter saneamento?

Custa rios poluídos, doenças, mau cheiro, degradação ambiental e atraso no desenvolvimento urbano.

Saneamento básico não aparece tanto quanto uma praça nova ou uma rua asfaltada. Mas é ele que sustenta a saúde de uma cidade inteira.

E quando o sistema funciona bem, quem ganha não é o governo.

É a população.